quarta-feira, setembro 27, 2006


Havia um tempo em que a menina, em mim, sorria sem hesitar e seguia saltitante por largos campos de girassóis...E as cores pareciam tão fortes, que os feixes de luz chegavam a lhe turvar os olhos ao encontrar o amarelo vivo das flores. Então o corpo exausto caia sobre a grama macia e adormecia com um sorriso solto, nos lábios.

Mas não chegava a ser um cansaço daqueles de se sentir peso na alma...Não como é hoje...NÃO! Uma sensação de preenchimento...Isso sim! Tamanha era a plenitude experimentada que só lhe restava mesmo um instinto primitivo, como o sono, para satisfazer-lhe o corpo.

Oras! Por que então isso se perde?! Por que agora ela adormece para que sinta, ao menos, algum conforto; escondido em sonhos talvez ?! Ah, sim...Já não é mais tão menina...E vê-se que tampouco foi somente seu corpo a se transformar. Mas por que diabos foi acontecer assim, desse jeito?! E que 'crescer' mais sem sentido esse, onde não florescem girassóis...Onde os campos são de joio e parecem intransponíveis...
Quisera ela ser como *Sofia e descobrir o mundo através de misteriosas cartas filosóficas... Quem dera não ter as respostas para as perguntas que se fez um dia... Seria melhor, ainda duvidar.Ou seria acreditar?! Já não se tem certeza... Mas enfim...Usufruir o ‘não saber’ !


* "O Mundo de Sofia" [Jostein Gaarder]

[Don’Ana –26 - set - 06]


|verborragia|

quarta-feira, setembro 20, 2006


Voltar / Viver / Parar / Volver
Nadar...Ao nada.

Seguir / Frear / Ouvir / Calar
Andar...Ou não?!

Sonhar / Perder / Acordar / Esquecer
Desenhar...O destino.

Despedir / Encontrar / Decidir / Esperar
Olhar...A face.

Sentir / Chorar / Sorrir / Respirar
Amar...Amargo?!


[Don’Ana – 10 / 19 - set - 06]

segunda-feira, setembro 18, 2006


Deixe-me ir, preciso andar
Vou por aí a procurar*
Me perdendo, encontrar
O que sempre esteve em mim

Este seio, outrora leito de latente sensação
Abriga hoje, dor e solidão
Ou se engana o coração
Na ilusão de um desamor

Talvez cansado de sofrer
Escolhera a breve oscilação, sem deveras saber
Ficando assim a mercê
Até mesmo de um falso ardor

E ao menor sinal de tormento
Já anuncia o triste lamento
De quem nubla o advento
Tentando, em vão, equivaler paz e torpor

Tolo! Não Vê quão inútil é tal pensamento
Certo seria permanecer involuntário, o movimento
Seguir apenar o pulsar de um sentimento
E esquecer essa estupidez de razão sem fim




* Trecho de "Preciso me encontrar" [Candeia].

[Don’Ana – 16 - set - 06 – 0:36h]