Seu pensamento.

domingo, setembro 28, 2008

Em tempos de urgências tecnológicas, a moça vai para a cama com o seu Mp3 player. Estava sem sono, tentou ler,resolveu escrever. Uma carta? Para quem? Melhor não...Do jeito que estava, escreveria para si mesma. Talvez as tolices de sempre. Lamentações justificadas em alguma razão caduca. Não!

Larga então a tinta vermelha e toma o travesseiro que quase lhe faz um cafuné. O edredom listrado a abraça, em meio àquela imensidão azul. Aos ouvidos, a voz de força suave da mulher sem razão faz o convite. Tenta resistir, mas as estrelas se tornam cada vez mais distantes. Seus olhos se cerram e ela flutua em melodias; permite-se ir.

Sonha com ele. Estão em casa, não se sabe ao certo de quem. Os dois cozinham e bebem vinho tinto, o preferido. Ele se lembra do vinil que encontrara num sebo empoeirado, dias antes, quando não mais procurava. Ela sorri. Ele caminha até a vitrola. Ela põe a mesa do jantar. Sabores, olhares, sorrisos e mais vinho. O jantar acaba, mas já está tarde e a moça vai ficar.

Ele troca o lado do disco. Ela leva as taças para a varanda. Entre recordações, o vinho parece ainda mais saboroso. Sentidos dormentes, luzes sem foco, foco no olhar. Ele estende a mão e lhe acaricia os cabelos. Ela se aproxima, quase o toca. Sente o calor. Aromas, olhares, sorrisos. O abraço. O perfume da pele. O silêncio revelando desejo.

Ele lhe envolve a nuca. Ela fecha os olhos. As bocas se encontram. Lábios de fruta. Línguas a se enroscar nas melodias de outras décadas. Dentes que procuram a carne. Ouvidos atentos aos pedidos do olhar. Pele que arrepia. Mãos que calam e fazem a voz rouca. Fotografias tateadas na pele desnuda. Olhos que falam por demais. Um corpo-a-corpo no balé do prazer. Urgência, fome, disritmia, ânsia, êxtase, delírio, exaustão, calmaria, enlace, eutimia. E adormecem...

Ela também. Mas acorda, na escuridão do quarto.

quinta-feira, setembro 04, 2008


D
esejo vomitar,em teu seio,o alimento que sorvi
mas a dormência emocional me impede de fazê-lo

Com a garganta em nó cego, vago na escuridão
Meu silêncio braveja as palavras acéfa
las
da inércia que adormece o movimento
Jaz em corpo débil e desorientado
que nem Freud explicaria
Ensaia alguns passos
mas segue à seco
Então tropeça

Quase cai
E fim.

(04 - 09 - 2008)


"Dos traumas que a gente só sente
Depois de crescer"