Meu ódio dar-te-ei,
Por tudo que não me fizeste.
Por todas as noites que não me tomaste em teus braços,
Por todo afago que me sonegaste.
Sim, ódio... Porque “não raro, o amor se converte em ódio”.
E é de tal forma intenso que se confunde aos anseios que outrora me tomaram o pensamento.
O desejo de te sentir em meus lábios,
De ter teus dedos a entrelaçar – me às longas madeixas,
Experimentar teu sexo a tocar meu ventre até minh’alma gozar em êxtase,
Ou ainda ouvir, ofegante, tua respiração ao repousar, em meu seio, a exaustão.
Mas eis que a avisto em teus braços, enquanto estou aos teus pés.
E sinto arder meu corpo...Não mais de desejo...
Mas é só minha, minha dor e meu...Todo o amor.
Porque o que me dilacera, também me acaricia.
E isso, ninguém poderá me tirar...Nem mesmo você.
[Fev.2006]
terça-feira, dezembro 26, 2006
Postado por Tati Almeida às 20:01:00 2 andar(es)
tags 39 º de febre, delírios, regurgitar, Traumas
Perto...Tão longe
Mais perto...Que longe
Será longe, de perto?
Estar...Ou não
Não estar assim
Na estrada...
Querer...O sonho
Sonhar o querer
Ceder ao sonhar
Viver o utópico
Um tópico...Vida
Saída...De mim
Nem rima, nem rumo
Nem proa, nem prumo
Só mesmo o pensar
E a sensação
Do coração
Decoração
[19 - jul - 06 – 22:36]
Postado por Tati Almeida às 19:29:00 2 andar(es)
Certas lembranças não a deixam, fazendo-a reviver o momento em que se deixou levar pelos sentidos. Um sorriso então volta aos seus lábios, assim como o sabor daquela tarde em que os joelhos tremiam num único compasso, embora seus olhos não hesitassem em transpor sentimentos urgentes. E por tempos não se sentira assim...Tão feminina.
E ela quis gritar ao mundo! Talvez, ao menos, a ele... Dizer-lhe o quanto fora singular tal instante. Mas não o fez... [Terá ele percebido?] E fez pior, tentou esconder isso de si mesma...Tola! Não vês que não há como fugir de ti? Então, hoje, permite-se voltar a sonhar, mesmo que ainda aturdida... E espera ansiosa pelo reencontro.
(28/04/06 – 16:32)
Postado por Tati Almeida às 19:24:00 0 andar(es)
Às vezes, a moça acorda no meio da noite. Noutras, ela sequer dorme... Nessas, põe-se a pensar nele e imagina a sensação do calor de seu corpo repousando ao lado dela; do pesar daqueles braços a envolver-lhe a cintura, ou mesmo do seu cheiro, misturado ao dele. E cerra os olhos.Chega sentir o tato. Por fim adormece... E continua a sonhar...Não mais acordada. Mas ainda feliz!
Ao amanhecer, desperta. Não somente no sentido literal... Mais ainda, no figurado. E vem a dor da ausência. A saudade do que não foi. Sim... Acordou só...E nem precisava olhar ao redor, sentia em seu peito, embora enxergasse em sua pele, as marcas invisíveis daquela noite. E franze a testa, rendendo-se a incerteza. Porém, as idéias se iluminam e os vincos se dissipam dando lugar semblante polido. Acontecera! [Gritou]. Sim! Foi real...[Exclamava a si mesma]. Pois bem...Sabia que uns diriam: - Apenas em sua mente! Pode ser...[Pensou subitamente]. Mas realizara seu encontro! [Estava certa disso]. Num mundo único, particular. É bem verdade...Entretanto, sentira cada momento. E não seria isso, de fato, o real? [Se perguntou, baixinho].
Naquele instante, seus olhos brilharam! Descobrira enfim, o segredo! E foi tomada de enorme euforia. O peito a explodir felicidade plena, nunca antes experimentada. Apertou contra si, o travesseiro, como a compartilhar confidências. E, aos poucos, se acalmava...O sangue voltava a circular no compasso de outrora. Então decidiu...Guardaria consigo a descoberta. Não por egoísmo...Talvez também, mas não apenas ele. Acreditou, ou mesmo quis pensar, que nem todos a entenderiam ou fariam bom uso dela. E, no mais...Bastava-lhe saber que nunca mais dormiria sozinha.
E uns diriam loucura, e eu diria ouvir...
Ela? sentir, in natura.
(07/04/06 – 3:32)
Postado por Tati Almeida às 19:20:00 0 andar(es)
tags delírios, humanidades, insône
Pode um ser, senão humano, pensar n'outro a cada dia, tendo-o visto tão poucas vezes?
E seria isso, o estar apaixonado?
Aos romances de outrora, essas questões soariam como tolices
Pois muitas foram às tardes em que a moça o esperara em sua janela
E, ao vê-lo passar, sentia o coração encher-se de uma alegria deveras sublime
Sendo assim de tal forma intenso, aos seus sentidos, tamanho sentimento não poderia ser outro senão o amor.
Hoje, a moça duvida do que lhe diz o coração e até tenta racionalizar o sentir
Mas sempre que pode, corre à jan[t]ela e espera, ansiosa, avistar o formoso rapaz
Aquele que habita seus sonhos e a acompanha aos passos pelas noites insones
O mesmo por quem suspira em silêncio, enquanto busca entre as palavras, a certeza de estar enamorada
Tola...Pensaria você...Mas, na verdade, a moça reconhece o sentimento
Só não sabe agora, o que será feito de seu pobre coração apaixonado...
(26/03/06)
Postado por Tati Almeida às 19:09:00 0 andar(es)
Sim...Ela pertence à urbe. Talvez seja esse o motivo dos desejos furtivos de se ir...E assim, ela finge não saber que a cidade está em seus sentidos, nega o fato de que, onde quer que vá, sempre a levará consigo.
Então, sonha com o vilarejo onde estará longe da competição que dilacera a relação entre os seres, ditos humanos. E não vai precisar vencer ou ser feliz...Até poderá, mas não terá esse fardo a carregar. Apenas viver cada som, sensação, sentimento e pensamento... Eis o que vislumbra.
Lá, a correria será para alcançar as cores das borboletas, pois, ao menos ali, a moça será tão livre quanto elas... Aos ouvidos, não mais o silêncio a gritar por urgência, mas aquele que lhe diz quem ela é realmente. E, num dado momento, todo amor que habita em seu peito, se personificará diante de seus olhos. Sentirá seus poros abertos, como se fossem portais... E fará deles sua ligação como o mundo.
Enfim, o sentir será pleno... E o sabor do tempo, mais suave.
( 23/03/06)
Postado por Tati Almeida às 19:04:00 0 andar(es)
tags borboletas, humanidades, urbani.cidades

Pensamentos perdidos
E entre eles, boas lembranças
Outras tristes
E mais pensamentos
Uma mistura da dúvidas,sentimentos,esperanças
E sem nehuma certeza, ou alguma resposta
Sim, mesmo sabendo que "o truque é viver sem uma resposta",
Certas vezes a espero.
E nesse caminho, as idéias circulam desconexas
Mas mesmo assim preservam meus sentidos
Ainda que em conflito com a razão
E fico eu, a perambular pelas luzes na escuridão
O sono então se aproxima
E o corpo exaurido adormece
E amanhece
Mas com ouvidos atentos ao som das luzes
(11/03/06)
Postado por Tati Almeida às 19:00:00 0 andar(es)
Era ela...Eu a reconheci.
Era ela que adentrara minha janela
Na verdade...Nem tão mais bela
Mais ainda ela
Estava ali em minha morada
A me olhar assustada
E a provocar-me arrepios
Numa noite deveras quente
A exalar vapor tão latente
As estrelas se desnudam sem pudor
E o calor incita uma calma aparente
Quase que anestésica
E vê-se nela o desespero
Como se quisesse gritar ao mundo
Algo terrível ou primoroso
Seu corpo de aparência frágil
Debatia-se em agonia
Chegando a quase explodir
Tamanha sua euforia
E se lembrara de tempos passados
Àqueles em que esteve sob a terra
E de como foi difícil crescer
Para então ter forças e voar alto
Mas agora, ao vê-la formosa
Percebo que seu único desejo
É cantar para o amor
Com tamanha energia
Que não me surpreenderia
Se um dia o encantasse
( o7/03/06)
Postado por Tati Almeida às 18:51:00 0 andar(es)
tags delírios

