Pensou não mais sentir. Tolice!
Se a própria razão já dissipa os sentidos...
E caminhava entre os incrédulos que negam o óbvio.
Insistia em não enxergar o vermelho em seu peito e julgava morta uma emoção que sempre lhe fora vital.
Mas o acaso lhe trouxe de volta as borboletas tão coloridas.
E como sempre deveriam ser os encontros, ela se vê refletida em um jogo de espelhos.
Então se aproxima e chega a quase tocá-los, mas antes que precise fazê-lo percebe que os reflexos se transfiguram e seu rosto toma outra forma.
Traços mais fortes, corpo mais esguio...Mas os mesmos olhos.
Sim, era ela mesma. Não sabia exatamente como, mas estava certa disso.
A outra mão se estende e o sorriso é um convite.
Nesse momento, seus olhos se cerram para que consiga perceber o caminho e, como em um filme dirigido por Gondry*, eles flutuam por entre nuvens de algodão-doce, onde notas musicais lhe acariciam os ouvidos e os guiam através de uma sucessão de deliciosos clichês.
Pode sentir o vento entrelaçar seus cabelos e o sol enrubescer-lhe a face, antes sem cor. Então as nuvens se abrem e ela avista um campo de verde profundo.Respira a poesia de cada descoberta e a mesma brisa que toca seu rosto, espalha as pétalas dos mais belos girassóis que já vira.
E ela sabe que ali é onde sempre quis estar. Adormece.
Desperta cercada de um azul celeste que, mesmo adorável, não abriga o mesmo calor.
- Ah que crueldade sonhar assim... - Ela pensou ao suspirar.
Apertou bem os olhos como se, em um passe de mágica, fosse voltar para aquele lugar.
Não entendia como desejava estar tão distante daquelas quatro paredes que a viram crescer.
Agora ela vive a angústia da espera...A busca pela comunhão dos sentidos.Precisa daqueles olhares sorridentes, dos sons que a silenciam, do toque que lhe adormece a alma...
Mas está feliz! A lágrima não ameaça do olho cair porque hoje o desejo se traduz na certeza de onde ir.
E essa é a diferença entre sonhar e querer.
*Michel Gondry.
(27-11-07)
terça-feira, novembro 27, 2007
Postado por Tati Almeida às 00:00:00 0 andar(es)
tags borboletas, delírios, saudades
sexta-feira, novembro 23, 2007

saudade de dias assim...
em que a chuva é só uma desculpa para o abraço
onde o peso das nuvens não chega a nublar os sorrisos
e os olhares que se enlaçam, embaixo do guarda-chuva,
são capazes de atravessar a rua sem se perder
então a pele sente o frio que aquece o nariz
onde becos e vielas exalam o cheiro do humor
e o tempo corre sem pressa numa avenida de vultos felizes
porque todos os momentos parecem *cenas de um filme inglês
são dias que te fazem enxergar as cores do cinza
e perceber que as buzinas cantam *pápaaa paparapaaa
enquanto as esquinas guardam o doce sabor dos cítricos
é quando você vê a beleza do caos urbano
e deseja ter *ossos de borboleta x)
* referência às músicas do Wado. ;p
(25 - 07 - 2007)
Postado por Tati Almeida às 15:23:00 0 andar(es)
tags borboletas, chuva, musique, saudades, urbani.cidades
sábado, janeiro 20, 2007

Por vezes fui como esse pedaço de madeira, sendo moldada por algo externo a mim. Me deixava ser levada como água que segue seu destino... Mas no percurso, via cores e luzes que desviavam meu olhar. Resolvi ir em busca delas. Moldar meu próprio curso.
Hoje, entendo que não há um único sentido. E percebo que antender aos sentidos é quase tão importante quanto ter um caminho por onde voltar. Então, que eu consiga ser como esse artesão e moldar a minha estrada com os traços que me agradem. Reconheça ainda, o momento de me deixar ser moldada pela vida.
Postado por Tati Almeida às 22:21:00 3 andar(es)

