Maldição

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Na maldição das palavras maldisse seu destino. Fez com ele pior do que aos seus inimigos, até porque não os tinha ou não soubera deles. Acreditou no que lhe fora conveniente ao temor e descrença de seu presente. Deu a si o benefício da dúvida e o malefício da hesitação. Tomou de outras bocas a profecia mal-dita e a legitimou absoluta. Adormeceu desejos e sentidos. Veio a paralisia (in)voluntária, um cansaço de tudo e todos, a morte. Então, descobriu que o inferno não são os outros. Profano foi seu coração.

E assim foi sem vírgula ou exclamação. Apenas ponto final.

Gracias la vida.

quinta-feira, novembro 13, 2008



Meu sangue latino, rubro, rojo, encarnado, carmim.
Marca na pele, o braseiro que queima até sob o luar.

Ora jorra por feridas talhadas na carne-alma.
Noutra,rega sonhos ainda vivos no coração selvagem.
Mesmo que o tente castanho, sabota qualquer fuga.
E,noutro dia, me cora a face de vitalidade.

No fim, me domina inteira. Amém.

E não vai ter happy end.

segunda-feira, outubro 27, 2008


morre hoje um pedaço da carne que,há tempos, já não era minha.
o sangue,aos poucos empalidecido,não mais regava artérias ou feridas.
no peito não restou sequer luto ou contrição; perderam-se no tempo.
talvez agora,as chagas também se cubram da terra seca de lágrimas.
e como n'outras estórias,a existência se esvai antes mesmo do corpo.

Seu pensamento.

domingo, setembro 28, 2008

Em tempos de urgências tecnológicas, a moça vai para a cama com o seu Mp3 player. Estava sem sono, tentou ler,resolveu escrever. Uma carta? Para quem? Melhor não...Do jeito que estava, escreveria para si mesma. Talvez as tolices de sempre. Lamentações justificadas em alguma razão caduca. Não!

Larga então a tinta vermelha e toma o travesseiro que quase lhe faz um cafuné. O edredom listrado a abraça, em meio àquela imensidão azul. Aos ouvidos, a voz de força suave da mulher sem razão faz o convite. Tenta resistir, mas as estrelas se tornam cada vez mais distantes. Seus olhos se cerram e ela flutua em melodias; permite-se ir.

Sonha com ele. Estão em casa, não se sabe ao certo de quem. Os dois cozinham e bebem vinho tinto, o preferido. Ele se lembra do vinil que encontrara num sebo empoeirado, dias antes, quando não mais procurava. Ela sorri. Ele caminha até a vitrola. Ela põe a mesa do jantar. Sabores, olhares, sorrisos e mais vinho. O jantar acaba, mas já está tarde e a moça vai ficar.

Ele troca o lado do disco. Ela leva as taças para a varanda. Entre recordações, o vinho parece ainda mais saboroso. Sentidos dormentes, luzes sem foco, foco no olhar. Ele estende a mão e lhe acaricia os cabelos. Ela se aproxima, quase o toca. Sente o calor. Aromas, olhares, sorrisos. O abraço. O perfume da pele. O silêncio revelando desejo.

Ele lhe envolve a nuca. Ela fecha os olhos. As bocas se encontram. Lábios de fruta. Línguas a se enroscar nas melodias de outras décadas. Dentes que procuram a carne. Ouvidos atentos aos pedidos do olhar. Pele que arrepia. Mãos que calam e fazem a voz rouca. Fotografias tateadas na pele desnuda. Olhos que falam por demais. Um corpo-a-corpo no balé do prazer. Urgência, fome, disritmia, ânsia, êxtase, delírio, exaustão, calmaria, enlace, eutimia. E adormecem...

Ela também. Mas acorda, na escuridão do quarto.

quinta-feira, setembro 04, 2008


D
esejo vomitar,em teu seio,o alimento que sorvi
mas a dormência emocional me impede de fazê-lo

Com a garganta em nó cego, vago na escuridão
Meu silêncio braveja as palavras acéfa
las
da inércia que adormece o movimento
Jaz em corpo débil e desorientado
que nem Freud explicaria
Ensaia alguns passos
mas segue à seco
Então tropeça

Quase cai
E fim.

(04 - 09 - 2008)


"Dos traumas que a gente só sente
Depois de crescer"

segunda-feira, maio 05, 2008


Ainda que costume negar, gosto de gente.
Me agradam sobretudo diferenças!

As visões de mundo, sonhos, memórias...

Algumas histórias são escantadoras.

Há ainda, o movimento que me fascina.

Hoje aqui, amanhã outro lugar.

Outras pessoas, outras histórias, outra vida.

Parte que morre em mim. outra nasce e renasce.

Um ciclo. sai da casca. se livra da pele morta.

Sonhos vivos. medo. força.

Tudo é parte do que me faz viva.



(05 - 05 - 2008)

segunda-feira, abril 21, 2008


Há tempos não escrevo nada, mais tempo ainda que não escrevo diários...E mais uns dois anos que mal repenso meu dia. Acho que os diários têm essa função, de nos lembrar como foi o dia, de nos mostrar o quão medíocre é a vida sem detalhes. Eu costumava escrevê-los na juventude, mas as palavras se foram junto com alguns sonhos e a ternura que foi me imposta socialmente.

Hoje meu afeto é de bem poucos. Me sinto cada vez mais vazia. O trabalho se tornou Meu companheiro. Na maior parte do tempo isso me deixa feliz. Mesmo ainda longe de alcançar meus objetivos nele. Mesmo sem ter sequer achado o caminho. Talvez um diário me ajudasse nessa busca. Quem sabe o pensamento incessante me faria saber onde ir? Me sinto presa a isso.

Mesmo se quisesse ser mais leve como antes, ou mais densa como outrora, não sei bem de que maneira sair de onde estou. Os dias passam e vejo algum progresso. Mas como em 'alice no país das maravilhas', há muitos caminhos; e quando não se sabe para onde está indo, qualquer lugar serve...Mas eu não quero ir para lá.

Quero o meu lugar, mas ainda não sei onde ele fica. Enquanto isso trabalho. Cumpro minha função social e ganho algum dinheiro. Paga a minha vodka, paga o meu cinema, o meu trabalho e o meu cigarro...Ah, mas eu não fumo. Havia esquecido... Quem sabe um dia eu precise.

O cansaço de certa forma me faz bem. Me faz dormir mais cedo. Dizem que é saudável. Parece bom. Às vezes faz falta dormir com alguém. Não sexo, isso vez ou outra se tem. Nunca é tão difícil para alguém sem muitos pudores... É bem verdade que alguém te fazer sentir na pele o prazer de ser somente um animal...Isso sim é bem difícil. Mas isso também não é só sexo. Dormir, isso já me acalmaria os sentidos.

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" Find out who you are before you regret it
'Cause life is so short
There's no time to waste it"