terça-feira, dezembro 26, 2006


Sim...Ela pertence à urbe. Talvez seja esse o motivo dos desejos furtivos de se ir...E assim, ela finge não saber que a cidade está em seus sentidos, nega o fato de que, onde quer que vá, sempre a levará consigo.

Então, sonha com o vilarejo onde estará longe da competição que dilacera a relação entre os seres, ditos humanos. E não vai precisar vencer ou ser feliz...Até poderá, mas não terá esse fardo a carregar. Apenas viver cada som, sensação, sentimento e pensamento... Eis o que vislumbra.

Lá, a correria será para alcançar as cores das borboletas, pois, ao menos ali, a moça será tão livre quanto elas... Aos ouvidos, não mais o silêncio a gritar por urgência, mas aquele que lhe diz quem ela é realmente. E, num dado momento, todo amor que habita em seu peito, se personificará diante de seus olhos. Sentirá seus poros abertos, como se fossem portais... E fará deles sua ligação como o mundo.

Enfim, o sentir será pleno... E o sabor do tempo, mais suave.


( 23/03/06)

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